quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Os 10 livros que mais gostei de ler em 2022



1– Sonetos do amor obscuro e Divã do Tamarit – Federico Garcia Lorca

Esses dois tesouros da lírica espanhola são muitas vezes publicados em um só volume. Trata-se de  uma dúzia de sonetos que cantam o amor em suas facetas mais íntimas e causadoras de sofrimento, seguidos pelo Divã do Tamarit, poemas que homenageiam, na forma, a herança árabe andaluza e, no conteúdo, abordam a morte, o amor e o medo da perda. Gostei tanto que fiz uma resenha aqui.


2– Full dark, no stars [Escuridão total sem estrelas]– Stephen King 

Meu primeiro contato com a obra de King, essa coleção de quatro longos contos (novelas?) apresenta o tema da vingança em diferentes avatares, sempre com uma forte carga de tensão psicológica. Pelo menos uma das histórias ("1922") foi adaptada com sucesso para o cinema pela Netflix. Outra delas é inspirada em um famoso caso real de assassino em série. A edição que li, em inglês, traz ainda o conto "under the weather", que também é uma pérola. 


3– Estrela da vida inteira – Manuel Bandeira

Muita gente considera Manuel Bandeira um dos melhores poetas do Brasil em todos os tempos. "Estrela da vida inteira" reúne todos os livros de poesia autoral de Bandeira, incluindo, além de todos os clássicos, como "Carnaval" e "Libertinagem", produções como o "Mafuá do Malungo", que reúne  populares e espirituosos versos de circunstância, e algumas traduções. Escolhi um poema de cada livrinho presente na obra nesta postagem


4– A poesia Árabe-Andaluza: Ibn Quzman de Córdova – Michel Sleiman

Há pouca coisa publicada no Brasil sobre a poesia árabe em geral, principalmente a clássica. O grande acadêmico Michel Sleiman preparou, para somar à coleção de traduções poéticas da Ed. Perspectiva, um material crítico bastante detalhado e a tradução de belos poemas de Ibn Quzman. Trata-se de um poeta irreverente e talentoso,  considerado o maior de Al-Andalus. Li também A arte do zajal, do mesmo autor, que é mais técnico e detalhado, abordando a situação do zajal (um tipo de poema estrófico) dentro do quadro maior da poesia árabe medieval. 


5– Fin du Siècle por Carpeaux – Otto Maria Carpeaux 

Esteticismo, Simbolismo, Crepusculares... são muitos os rótulos e os movimentos sociais, políticos e estéticos do fim do século XIX. Parte da monumental "História da Literatura Ocidental", o volume "Fin du Siècle" nos deixa mais familiares com as obras de Oscar Wilde, Mallarmé, Rimbaud, Joyce, Proust e dezenas de outros autores, quase do mundo inteiro, do ponto de vista da crítica literária. Li, do mesmo autor, Uma nova história da música, cujo título aparentemente foi mudado em edições mais recentes. Decidi escolher apenas um dos livros para esta lista, apesar de os dois serem igualmente maravilhosos. 


6– Tratado de versificação – Olavo Bilac e Guimarães Passos

Peguei o Tratado pensando que seria apenas uma leitura sobre as regras "chatas" para fazer um poema parnasiano perfeito. Resultado: meu preconceito foi totalmente destroçado! Nessa obra, Bilac e Passos fazem uma revisão cronológica da poesia em língua portuguesa e, depois, dão as diretrizes para a confecção dos mais belos versos, tecendo preciosos comentários sobre o bom uso dos sons e sobre todos os nossos gêneros de poesia. Além disso, os exemplos trazidos pelos autores valem como uma antologia de boa poesia em várias formas e abordando vários assuntos. Acredito que todos os que escrevem poesia devem ler esse livro, perdoando a ausência do capítulo sobre verso livre.


7– The selected poems of Yehuda Halevi – Seleção, tradução e notas: Hillel Halkin

Para os que leem inglês, essa obra gratuita, que pode ser baixada aqui, nos presenteia com uma linda antologia de poemas de Iehudá Halevi, grande mestre da poesia medieval hebraica na Espanha sob domínio muçulmano. São obras (que seguem as estruturas clássicas árabes) de diferentes extensões e gêneros, sobre vinho, amor, religião e saudade da terra ancestral – a terra de Israel. Apresentados no original hebraico e em uma boa tradução, os poemas ainda contam com notas que os deixam mais próximos do leitor moderno.


8– Álcoois e outros poemas – Gillaume Apollinaire 

Ainda pouco comentado no Brasil, Apollinaire é conhecido por sua influência nas vanguardas europeias do início do século XX e por seus caligramas, poemas escritos formando desenhos. Os poemas de "Álcoois" são bastante visuais, "atmosféricos", e refletem diferentes estados de espírito, que podem ser imaginados enquanto lemos um pouco sobre a conturbada vida desse importante poeta. A edição que possuo, traduzida por Daniel Fresnot, traz, na seção "outros poemas", alguns dos caligramas e composições escritas no calor da Primeira Guerra Mundial para as musas de Apollinaire. 


9– Guia prático do Português correto: Ortografia – Cláudio Moreno

Todas as pessoas certamente se lembram de aulas empolgantes e significativas que tiveram durante os anos de escola. Sinto algo parecido ao ler livros como esse. O professor Moreno, na série "Guia prático do Português correto", consegue a façanha de comunicar importantes lições sobre nossa língua, respondendo às perguntas dos seus leitores e transitando entre diversos gramáticos, linguistas e literatos para nos mostrar uma das coisas que acho mais interessantes na língua: quase nada do que crescemos ouvindo falarem que é errado em português o é. Esse livrinho de capa roxa é o primeiro volume de uma série de cinco e lida com a ortografia, ou seja, a forma correta de escrever as palavras. 


10– Folhas de Relva – Walt Whitman

Para finalizar essa lista cheia de poesia, o maior clássico da poesia dos Estados Unidos. Tornado célebre no mundo pop em produções como "Sociedade dos Poetas Mortos" e "Breaking Bad", Folhas de Relva reúne uma vida inteira de versos livres de Walt Whitman, arauto da democracia, dos EUA e da divindade de cada pessoa humana. Mesmo que a leitura da obra integral possa se tornar cansativa, duvido que qualquer pessoa sensível folheie esse livro sem ser tocada por muitos de seus poemas.

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